Dando continuidade a série: “50 máquinas que mudaram o rumo da história”. Vamos falar sobre o Motor a Diesel

A primeira Revolução Industrial foi impulsionada primeiro pela energia hidráulica e depois pelo vapor e uma das invenções que mais contribuíram para o sucesso da Segunda Revolução Industrial foi o motor a Diesel.

O estacionário, com uma eficiência termodinâmica entre 10 e 15%, que alimentava moinhos, minas e fábricas aperfeiçoado primeiro por James Watt (1736-1819) e depois por George Corliss (1817-1888), resultava em um desperdício de recursos naturais e dinheiro, sem falar na poluição atmosférica, embora a questão ambiental não fosse tão debatida como é atualmente, engenheiros debatiam-se para criar um motor que se aproximasse da eficácia do motor ideal proposto por Nicolas Carnot (1796- 1832) em 1824.

Nicolas Carnot analisou os motores de sua época, incluindo tanto aqueles a vapor quanto os de combustão interna e chegou a conclusão de que o motor térmico ideal respeitaria o ciclo em quatro etapas: calor é transferido de uma fonte em alta temperatura para expandir a substância atuante (gás ou líquido) e acionar o pistão; como o pistão e o cilindro estão perfeitamente isolados, eles não podem ganhar nem perder calor. A substância atuante se expande até que o processo de expansão a faça esfriar; a substância atuante em resfriamento transfere seu calor para o “dissipador” térmico; e a compressão da substância atuante no motor isolado faz a temperatura subir, devolvendo-o ao mesmo estado do primeiro passo.

Mas o motor de combustão interna só atingiu seu potencial com as melhorias realizadas pelos engenheiros alemães Nikolaus Otto (1832-1891) Eugen Langen (1833-1895) em 1877. Motores de combustão interna de quatro tempos que usavam ignição elétrica a partir de velas de ignição são conhecidos até hoje como “motores Otto”. Nikolaus Otto revolucionou a indústria, que na época utilizava largamente o motor a vapor. Ele desenvolveu o princípio de funcionamento conhecido como Ciclo Otto, que consiste em transformações termodinâmicas que podem ser observadas nos automóveis até os dias de hoje.

Embora muito mais eficaz que os motores a vapor, o motor Otto não se comparava ao motor térmico de Carnot em termos de eficiência termodinâmica: em um motor de quatro tempos atualmente, ela fica em torno dos 30%. 

O SUCESSO DE RUDOLF DIESEL

Rudolf Diesel (1858-1913) tinha o objetivo de construir o motor tão eficaz quanto ao motor de Nicolas Carnot. Seu motor foi idealizado em 1892-1893. Diesel tinha a teoria, mas lhe faltava um motor para testar seus experimentos. Na busca por um patrocinador, a chance lhe foi dada pela firma MAN, de Augsburg, no sul da Alemanha. No começo de 1897, foi construído o primeiro motor a diesel do mundo. Sua peculiaridade, na época, era o alto grau de rendimento. Ele conseguia aproveitar para o movimento um quarto da energia do combustível. 

Foi uma das invenções que mais contribuíram para o sucesso da Segunda Revolução Industrial, teoricamente os motores a diesel alcançariam 75% de eficiência na prática chegavam a 50%, com média que rondava 45% e era 15% mais eficiente do que os motores de Otto. Eficiência termodinâmica de um motor a diesel significa, naturalmente, que ele usa menos combustível para a mesma quantidade de trabalho. O óleo diesel é mais barato de produzir a partir do petróleo que a gasolina, além de ser mais fácil de substituir por biodiesel sem nenhuma dispendiosa conversão do motor.

Embora não seja um combustível “verde”, o diesel produz muito pouco monóxido de carbono, o que o torna ideal para o uso em minas e submarinos. Como o motor a diesel não utiliza um sistema de ignição de alta voltagem, ele possui um design muito mais simples do que um motor a gasolina, o que também o torna mais seguro.

As altas pressões a que os motores a diesel são submetidos os obrigam a ter uma estrutura muito mais sólida do que motores a gasolina, o que lhes garante uma vida útil muito mais longa. Essas vantagens tornavam o diesel uma escolha óbvia para substituir o vapor e impulsionar o complexo industrial e o sistema de transportes da Segunda Revolução Industrial.

O motor a diesel passou a ser largamente utilizado na indústria de construção naval, automobilística e aeronáutica (na época, balões dirigíveis). Em 1900, Rudolf Diesel foi para os Estados Unidos, onde já gozava de grande prestígio. Mas seu sucesso durou pouco.

A MISTERIOSA MORTE DE RUDOLF DIESEL

Conflitos sobre registros de patentes, especulações financeiras malsucedidas e problemas psicológicos o levaram à beira da falência.

Na noite de 29 de setembro de 1913 Rudolf Diesel embarcou em uma balsa na Antuérpia com destino à Inglaterra. Ele estava a caminho de Londres para uma reunião de rotina com os fabricantes britânicos de seus motores. Retirou-se para sua cabine às 10 da noite, pedindo ao comissário de bordo que o acordasse às 6h15 do dia seguinte.

Mas pela manhã não foi encontrado em seus aposentos, foram feitas diversas buscas, mas o mesmo não foi encontrado.

Dez dias depois, um barco pesqueiro holandês encontrou um corpo boiando no Canal da Mancha. O corpo estava tão deteriorado que os tripulantes não o levaram para bordo. Eles recuperaram objetos pessoais do cadáver que pudessem ajudar em sua identificação. Em outubro, a família confirmou que os objetos pertenciam a Rudolf Diesel.

O principal biógrafo de Diesel acreditava que o inventor, deprimido e sobrecarregado de trabalho, tivesse sofrido um colapso nervoso e cometido suicídio. Entretanto surgiram algumas teorias conspiratórias, pois, como a primeira guerra mundial estava a eclodir sugeriu-se que a inteligência militar alemã teria tido algum envolvimento com a morte, no intuito de impedir que Diesel transferisse mais de seus inventos para os ingleses.

Outra teoria mais recente é a de que ele tenha sido assassinado a mando dos barões da indústria do petróleo, por desenvolver motores que poderiam funcionar a “biodiesel“: o que acabaria com o lucrativo monopólio das companhias petrolíferas no tocante à produção de combustível para motores de combustão interna. Mas a teoria mais aceita até os dias atuais e que ele tenha cometido suicídio.

HISTÓRIA DE RUDOLF DIESEL

Referências Bibliográficas

1893: Patenteado motor a diesel. DW Brasil. Disponível em<https://www.dw.com/pt-br/1893-patenteado-motor-a-diesel/a-445843> acesso em 06 de abr. de 2020.

CHALINA, Eric. 50 Máquinas que mudaram o Rumo da História. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro. Sextante. 2014.

Motor a Combustão: veja a evolução e o impacto desta máquina. Blog de Engenharia. 27 de set. de 2018. Disponível em<https://fluxoconsultoria.poli.ufrj.br/blog/projetos-mecanicos/motor-a-combustao/?gclid=Cj0KCQjwybD0BRDyARIsACyS8mvRAYetvlC_aHQwMqUBQhS0JYQ_EAVM6DDqMjoMKebUoZjTLt-i2KwaAt9XEALw_wcB> acesso em 06 de abr. de 2020.