Dando continuidade a série: “50 máquinas que mudaram o rumo da história”. Vamos falar sobre a Máquina de Escrever Underwood n°1 e conhecer um pouco da história da máquina de escrever, e sua evolução até chegar ao sucesso de mercado da Underwood

Máquina de escrever Underwood que pertenceu a Ernest Hemingway Northeastern University/Brooks Canaday/AP

Como em todas as grandes invenções, e, sem dúvida a invenção da máquina de escrever foi uma delas, inúmeros países reivindicam tal privilégio. Brasil, Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália.

CRONOGRAMA DAS INVENÇÕES DAS MÁQUINAS DE ESCREVER COM SEUS RESPECTIVOS INVENTORES

O primeiro projeto registrado da máquina de escrever é datada em 1714, idealizada pelo engenheiro Henry MiIl(1863-1771), mas esse projeto não foi adiante, ou seja, a máquina nunca foi construída e não ficaram modelos, conhecendo-se sua existência apenas por uma descrição datada de 1780, que consta ter surgido em 1753.

Pelegrino Turri (1765–1828), em 1808, teria construído uma máquina, para a filha de um amigo que era cega, pudesse aprender a escrever. Porém, de uma forma mais evidente, esse fato histórico não se confirmou.

A primeira patente norte-americana consta ser de William Austin Burt (1792-1858), de Detroit (1829), cujo conteúdo foi destruído pelo incêndio do Escritório de Patentes de Washington, em 1836. 

Em 1833, o francês Xavier Progin (1801-1855), de Marselha, apresentou o seu invento, em que usou barras de tipo, sendo uma alavanca para cada letra.

Em 1843, o norte-americano Charles Thurber (1803-1886), de Worcester, Massachusetts, patenteou uma máquina que utilizava um jogo de barras de tipos situados em redor de uma roda de latão; esta movia-se num eixo central e o tipo, com tinta, atingia o papel, colocado sob a roda. Fator muito importante a ser registrado, é que, pela primeira vez, havia um movimento longitudinal do carro, o qual, praticamente foi utilizado em quase todas as máquinas de escrever que se seguiram. Mas devido a lentidão do sistema a máquina de escrever não obteve sucesso.

Em 1845, Thurber efetuou algumas modificações em seu projeto, com objetivo de ajudar na escrita dos cegos, mas no ano anterior Richard Littledale (1833-1890) fez também.

A partir de 1850, principalmente nos Estados Unidos e Europa, muitas foram as máquinas de escrever que surgiram, com especial destaque para: Alfred Ely Beach (1826-1896), de Nova York (1856); do Dr. Samuel W. Francis (1835-1886), também de Nova York, em 1857 e de John Pratt (1831-1905), do Alabama, residindo na época em Londres (1866).

Há registro de um brasileiro que inventou uma máquina de escrever, o Padre Francisco João de Azevedo (1814-1880), que construiu em madeira, uma máquina de escrever. O invento só não foi patenteado porque, segundo o biógrafo Ataliba Nogueira, um estrangeiro o fez desistir da ideia e roubou o projeto.

A máquina inventada por Francisco João foi feita em Jacarandá. Equipado com 14 teclas, o móvel se parecia com um piano. Cada tecla adicionava uma haste comprida com uma letra na ponta. A máquina permitia datilografar as letras do alfabeto e os sinais ortográficos. Um pedal era utilizado para trocar de linha.

O invento foi exibido na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco de 1861, onde foi premiado com a medalha de ouro, na presença do Imperador Dom Pedro Segundo.

Durante o século XIX, muita gente tentou aperfeiçoar a máquina que não escrevia de Mill. Todas as alternativas eram grandes e desajustadas, algumas parecendo um piano.

A PRIMEIRA MÁQUINA A SER COMERCIALIZADA E O SUCESSO DA MÁQUINA DE ESCREVER

A primeira máquina de escrever a ser vendida foi a “bola de escrever’: idealizada pelo pastor dinamarquês Rasmus Malling-Hansen (1835-1890) em 1870. Em seu primeiro modelo, uma esfera de metal cravejada de teclas se deslocava sobre um rolo de papel preso a um cilindro.

Embora engenhoso, esse dispositivo não era capaz de disputar o mercado com “máquina de escrever” desenvolvida pelos inventores americanos Christopher Sholes (1819-1890) e Carlos Glidden (1834-1877) em 1868 e produzida em 1873 pela E. Remington and Sons, que se tornaria uma das maiores produtoras de máquinas de escrever do mundo com o teclado padrão QWERTY .

A SOLUÇÃO PARA VISUALIZAÇÃO

Embora à primeira vista a máquina quadrangular, com seu teclado-padrão QWERTY, pareça uma máquina de escrever manual moderna, faltavam-lhe vários recursos importantes: ela não possuía tecla para maiúsculas, de modo que só era possível escrever em caixa-baixa; e, como as barras de tipos ficavam na vertical, o datilógrafo não conseguia ver o que estava digitando até o retorno do carro puxar o papel para cima.

As máquinas produzidas no fim do século XIX não permitia que os datilógrafos enxergassem o que estavam escrevendo, umas porque o mecanismo tapava o papel, outras porque as barras mantinham-se “de pé”.

Franz Wagner (1837-1907) não foi o primeiro a desenvolver um modelo de máquina de escrever de escrita visível, mas seu “dispositivo de recuo das barras de tipos” de 1890 mostrou-se o melhor mecanismo para permitir que o datilógrafo visse seu próprio trabalho.

O modelo de Wagner resultou em algumas das máquinas de escrever mais vendidas de todos os tempos, mas por ele não ter o tino comercial. Em 1895, pediu a John T. Underwood (1857-1937), presidente de uma empresa de materiais de escritório que fabricava fitas e papel-carbono para máquinas de escrever, patrocínio para desenvolver sua invenção.

A DISPUTA QUE RESULTOU COMO SUCESSO DA UNDERWOOD

Depois que a Remington começou a produzir suas fitas ela mesma, Underwood partiu para o contra-ataque, afirmando que produziria suas próprias máquinas de escrever para desafiar a Remington Standard, então líder do mercado.

O empresário reconheceu imediatamente as vantagens do design de escrita visível de Wagner, que entrou em produção como a Underwood nº 1 em 1897. As primeiras duas gerações das Underwood trazem o nome “Wagner Typewriter Co” gravado discretamente na parte de trás da máquina, assim como um “Underwood” muito maior na frente. Contudo, qualquer referência a Wagner foi eliminada a partir de 1901, depois que ele foi forçado a vender seus direitos de patente para Underwood. Já em 1920, todos os modelos rivais de máquina de escrever haviam desaparecido, e fabricantes em todo o mundo imitaram o design de escrita frontal visível das Underwood.

A MÁQUINA DE ESCREVER DE 14 TONELADAS

Após um início turbulento, a máquina de escrever tornou-se tão indispensável quanto os smartphones e tablets o são na atualidade, sendo vendida com todo o alarde que os departamentos de marketing eram capazes de conceber. Em 1915, Underwood criou uma máquina de escrever de 14 toneladas para a Exposição Panamá-Pacífico realizada em São Francisco.

O monstro de metal tinha 5,4 m de altura por 6,4 m de largura e era uma réplica totalmente funcional da Underwood nº 5, a máquina de escrever manual mais vendida do mundo, que podia ser operada por controle remoto. As barras de tipo pesavam 20,4 kg cada e escreviam em uma folha de papel de 2,7 x 3,8 m.

Referências Bibliográficas

A Incrível história da máquina de escrever (Um tributo ao padre Francisco João de Azevedo). Almanaque pridie calendas apresenta. Disponível em: < http://www.calendario.cnt.br/MAQUINAESCREVER.htm> acesso em 20 de abr. de 2020.

CHALINA, Eric. 50 Máquinas que mudaram o Rumo da História. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro. Sextante. 2014.

Saiba como foi inventada a máquina de escrever. EBC. 09 de jul. de 2015. Disponível em<https://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/07/saiba-como-foi-inventada-maquina-de-escrever>. Acesso em 19 de abr. de 2020.