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Dizer que alguém acredita em Deus não nos diz nada sobre o Deus de quem ele acredita.

Dennis Prager (*)

 

A maioria dos americanos diz que acredita em Deus. Pelo mundo, religiosos judeus, cristão e muçulmanos dizem que acreditam em Deus, como muitos fazem aqueles que não se identificam com nenhuma religião.
Mas esta afirmação na verdade não possui significado.
Para citar um exemplo, o Deus em cujo nome alguns muçulmanos extremistas cortam a garganta de pessoas inocentes e violetam mulheres não pode ser o mesmo Deus daqueles que acreditam que Deus condena tais atos.
Quem então argumenta que todos aqueles que dizem acreditar em Deus acreditam no mesmo Deus?
Dois grupos dizem isto. O primeiro consiste nas pessoas que tem uma agenda anti-religiosa: eles afirmam que todos os religiosos acreditam no mesmo Deus afim de desacreditar Deus e religião. O segundo consiste nas pessoas que tem uma agenda inclusiva e querem pintar muçulmanos como crentes no mesmo Deus que judeus e cristãos (como aliás, alguns creem, veja abaixo).
Então, como saberemos se duas quaisquer pessoas que afirmam acreditar em Deus de fato creem?
Responderei como um judeu crente: como eu sei se alguém acredita no mesmo Deus no qual eu acredito? Eu faço as seguintes três perguntas:
– Você acredita no Deus de Israel?
Aqueles que não podem responder afirmativamente a esta questão não creem no mesmo Deus que os judeus e cristão, crentes, crêem. Os muçulmanos não deveriam ter problema para responder afirmativamente mas no nosso tempo muitos teriam.
O Deus de Israel é, entre outras coisas, o Deus introduzido ao mundo pelos judeus e sua Bíblia: o Deus que criou o mundo, revelou-se aos judeus e tornou conhecida sua vontade moral através dos dez mandamentos e os profetas hebreus.
– O Deus no qual acredita julga o comportamento moral de cada ser humano?
Há muitas pessoas hoje que dizem que acreditam em um Deus que não julga as ações das pessoas. Como tal, eles não acreditam no mesmo Deus que os judeus e cristãos tradicionais. Na verdade, um Deus que é indiferente ao comportamento moral dos seres humanos é tão diferente do Deus apresentado pelo judeus que esses crentes deveriam também usar outra palavra ao invés de “Deus”.
Agora, isso não significa que tais pessoas não podem ser boas, indivíduos incríveis (assim como qualquer um que crê num Deus que julga moralmente é uma pessoa boa e incrível). Mas no geral, essas pessoas são menos propensas a serem morais pela óbvia razão que a maioria das pessoas age melhor quando acredita que suas ações serão julgadas por Deus e/ou por homem.
Ao mesmo tempo, ninguém precisa ser um judeu, cristão ou muçulmano afim de acreditar em um Deus que julga moralidade. Benjamin Franklin era um sujeito assim. Ele não seguia a credo cristão que Jesus era Deus mas ele acreditava nos ensinamentos morais e nos julgamentos que Deus introduziu pela Bíblia.
Alguém poderia argumentar que muçulmanos violentos acreditam em um Deus julgador e que Tomas de Torquemada, o infame líder da Inquisição Espanhola, também. Mas este argumento não é válido por parecer que muçulmanos violentos crêem que Deus vai julgá-los pela sua fé e busca por justiça – não pela sua conduta moral. Eles agem de acordo com o que eles mesmos acreditam que Deus aprova.
Para registro, judeus nunca acreditaram – e a Bíblia judaica nunca sugeriu – que alguém deve acreditar no judaismo ou ser judeu para ser julgado favoravelmente por Deus.
– Você crê no Deus que deu os Dez Mandamentos?
Esta pergunta precisa ser feita. Afinal, se Deus nunca revelasse sua vontade moral, como saberíamos qual comportamento ele exige de nós e o que ele julga?
E o que pensar sobre aqueles que respondem “sim” à essas perguntas mas têm outras crenças teológicas? Eles crêem no mesmo Deus que aqueles que também repondem “sim” mas não possuem outras crenças?
Por exemplo, os cristãos que acreditam no Deus de Israel mas também acreditam, por definição, na Trindade Cristã? Eles acreditam no mesmo Deus dos judeus e outros não-cristãos que somente acreditam nestes três critérios? Penso que sim. E o mesmo permaneceria verdadeiro para um muçulmano que acredita nessas três noções mas também acreditam que o Corão é a única completamente válida revelação.
Usando ou não estes três critérios, deveríamos todos ao menos saber que dizer que alguém acredita em Deus não nos diz nada sobre o Deus em quem alguém acredita. E quanto a fé, é isso que importa.
Essa coluna foi originalmente publicada no Townhall.com

Sugestão: Prager University

*Dennis Mark Prager é apresentador de talk show de rádio, colunista, autor e palestrante.

Tradução livre de Alexandre K. Vidal