por Tyler O’Neil, no PJMedia.

Austrália faz ‘Auditoria’ de livros infantis para garantir que ‘gênero’ não seja ‘rotulado’.

As autoridades australianas estão vasculhando livros infantis – e brinquedos – em creches, escolas e bibliotecas, visando não apenas promover opções “neutras em termos de gênero”, mas evitar “estereótipos de gênero” de qualquer tipo.

Pelo menos dois conselhos municipais começaram a “auditar” livros infantis, considerando, em última análise, uma espécie de proibição dos termos “menino” e “menina”.

O esforço segue a pesquisa da Universidade Nacional da Austrália que mostra que as crianças foram influenciadas por “estereótipos de gênero”. A pesquisa sugere que os educadores devem “minimizar a extensão em que se identifica o gênero” e evitar dizer às crianças como as meninas e os meninos devem se comportar.

Na tentativa de minar os “estereótipos de gênero”, os ativistas parecem dispostos a promover a confusão entre as crianças, minando as importantes descobertas que as crianças fazem sobre gênero no início da vida.

Defensores da ideia citaram estudos mostrando que meninas e meninos desenvolvem preferências de gênero no início da vida e que os brinquedos estão se tornando mais estereotipados por gênero. “A pesquisa é realmente muito interessante”, disse a comentarista Cath Webber. “O que eles estão dizendo para as pessoas fazerem é … não digam às garotas que elas têm que brincar com as Barbies e não digam aos garotos que elas precisam brincar com a Lego.”

Webber insistiu que o déficit feminino de interesse em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) pode remontar à ideia de que Legos são para meninos. Na verdade, a Lego fabrica uma ampla gama de brinquedos – para meninos e meninas – e é provável que os meninos geralmente gravitem em direção a objetos e as meninas geralmente gravitem em direção às pessoas.

Como  notou Michael Taube, do The Wall Street Journal , os guerreiros de justiça social da Austrália tentaram tranquilizar os pais, assegurando-os que os livros de Winnie the Pooh e Thomas the Tank Engine de seus filhos estavam seguros. Tania King, uma das autoras do recente artigo sobre a minimização da “rotulagem” de gênero, argumentou que todo o tumulto emergiu de uma linha citada erroneamente em sua revisão de literatura de 40 páginas.

Taube observou, contudo, algumas recomendações gritantes: “Evite distinção com base no gênero”, “evite brinquedos hiperfeminizados, como bonecas Barbie e Bratz”, e “use o tempo da história para introduzir temas de eqüidade de gênero”. Os autores empurraram “alternativas interessantes e desejáveis para os trajes da princesa” e pediram que os brinquedos fossem “examinados para garantir que eles não estivessem sugerindo associações de gênero de maneira sutil ou aberta, em sua cor, forma ou decoração”.

Todos os vestígios de “estereótipos” de gênero devem ser investigados e examinados. Os pais podem achar esses detalhes específicos ainda piores do que a idéia básica de cortar “menino” e “menina” de todos os livros infantis disponíveis.

Embora seja louvável procurar maneiras de encorajar as mulheres a considerar o STEM, a engenharia social não é o caminho a seguir. A remoção da “rotulação” de gênero provavelmente enfraqueceria a capacidade de meninos e meninas jovens de descobrir e navegar pelas complexidades do gênero, auxiliada pela certeza e ordem de identificar seu próprio gênero e se associar com colegas do mesmo sexo.

As autoridades australianas podem estar apenas examinando as realidades de como o gênero é apresentado às crianças em livros, brinquedos e vários outros meios, mas se as câmaras municipais estão operando com a suposição de que gênero não deveria ser “rotulado”, parece que os pais estavam certos em desconfiar.