J. M. de Barros Dias*

  1. Portugal

Devido à alta dos juros nos mercados internacionais, Portugal solicitou formalmente assistência financeira à União Europeia, ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu, no dia 6 de abril de 2011. O país entrava, assim, na espiral de falência em que se incluem, além da República da Irlanda, os países do Sul da Europa: Espanha, Itália, Grécia, Chipre e o já referido Portugal.

As eleições legislativas celebradas em 4 de outubro de 2015 ditaram a formação de uma coligação inédita naquele país: apesar de a coligação PSD/CDS ter vencido o pleito eleitoral com a maioria relativa dos votos, um acordo celebrado entre o Partido Socialista (PS), o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE)[1] permitiu, a estes partidos, um governo inédito, no país, desde que, em 25 de novembro de 1975, a esquerda marxista-leninista, liderada pelo PCP, foi afastada do poder pelas Forças Armadas. O programa econômico-financeiro do novo governo prevê, na verdade, a quadratura do círculo: reposição da massa salarial anterior ao resgate da União Europeia, criação de emprego, diminuição de impostos…

Ainda no plano político, em 24 de Janeiro de 2016 tiveram lugar as eleições presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa, professor catedrático da Universidade de Lisboa, foi o vencedor das eleições, com maioria absoluta obtida no primeiro turno.

Se a Pátria é passado – ela é, no dizer de Maurice Barrès, la terre et les morts – é, fundamentalmente, como declarou Claudel, la mer et les vivants. Melhor: a Pátria é a terra, o mar, os mortos, os vivos e os ainda não nascidos. Em tensão entre o passado e o devir, a Pátria será, no futuro de todos nós, connosco, mas com aqueles que, hoje, ainda não são.

Atualmente, na Europa mergulhada no pensiero debole sem saída, o que é Portugal? Hoje, escreve o filósofo Eduardo Lourenço, “somos superlativamente europeus porque já o éramos quando a Europa se definia na História do mundo como continente medianeiro. É para a Europa, talvez, que nós constituímos, se não um desafio, pelo menos um problema”[2]. Assim, e dilematicamente, diga-se, os portugueses provaram, ao longo da História, que não poderiam ser digeridos enquanto portugueses, dado que sua vocação é a de estar no mundo como estar em sua própria casa. Paradoxalmente, já o Padre António Vieira advertia seus compatriotas do complexo maior, do grande atavismo lusitano: “Todos nos cansamos em guardar Portugal dos Castelhanos, e devêramo-nos cansar mais em o guardar de nós. Guardemos o nosso Reino de nós, que nós somos os que lhe fazemos a maior guerra”[3].

 

  1. Brasil

1. O Brasil entrou em 2016 mantendo, em rigor, todos os problemas estruturais herdados das últimas décadas. A edição de 2 de Fevereiro do jornal Le Monde, em uma análise aprofundada, dava conta de que a luta contra a pobreza deixou de ser a prioridade do governo, continuando flagrante a desigualdade social. Neste sentido, escreveu o jornal, a desigualdade no Brasil lembra a Europa do século XIX. Segundo a correspondente do Le Monde, no Brasil, “se os cortes no orçamento forem realizados de forma precipitada, afetando os programas sociais, a ponto de comprometer a ambição brasileira de fundar uma sociedade mais igualitária”[4].

2. No âmbito do caso “Zika vírus”, o Ministério da Saúde divulgou, no dia 7 de dezembro de 2015, o documento intitulado Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika[5]. Nele, as autoridades brasileiras de saúde decidiram, como critério referencial para o diagnóstico dos recém-nascidos com microcefalia, passar a considerar o perímetro cefálico, não em  33 cm. mas, a partir daquela data, em  32 cm.

 

a) Existe, no Brasil, escassa confiabilidade dos dados estatísticos da Saúde. Veja-se o que acontece, por exemplo, com as Comissões de Documentação Médica e Estatística que apuram dados, geralmente por conveniência da instituição em que estão inseridas, não disponibilizando informação estratégica, quer aos pesquisadores, quer à sociedade em geral.

b) em Cabo Verde se registram 7 000 casos de Zika e não há nenhuma grávida infetada. Cf. Redação, “Cabo Verde Registrou 7 Mil Casos de Zika Vírus Sem Nenhum Caso de Microcefalia”, Carta Campinas, 13 de fevereiro de 2016.

Diponível online:

http://cartacampinas.com.br/2016/02/zika-virus-cabo-verde-registrou-7-mil-casos-de-zika-virus-sem-nenhum-caso-de-microcefalia/

Por outro lado, a Voz da América, citando a ministra-adjunta e da Saúde de Cabo Verde, divulgou que as “primeiras grávidas deram à luz sem qualquer anomalia e 130 estão a ser acompanhadas pelas autoridades”. Cf. Redação, “Aumentam Casos de Grávidas com Zika em Cabo Verde”, Voz da América, 16 de fevereiro de 2016.

Disponível online:

http://www.voaportugues.com/content/aumentam-casos-de-gravidas-com-zika-em-cabo-verde/3191506.html

c) Segundo a “vox populi” – que não é o discurso acreditado da ciência – os larvicidas causam Zika Vírus; a CIA causa o Zika Vírus.

Roberta Salinet, “RS Suspende Uso de Larvicida por Suspeita de Relação com Microcefalia”, G1, 13 de fevereiro de 2016.

Disponível online:

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/02/rs-suspende-uso-de-larvicida-por-suspeita-de-relacao-com-microcefalia.html

Jon Rappoport, “Zika: The CDC Is The Medical CIA”, Activist Post, 02 de fevereiro de 2016.

Disponível online:

http://www.activistpost.com/2016/02/zika-the-cdc-is-the-medical-cia.html

3. Ao referirmos a educação brasileira, em suas múltiplas vertentes, temos que sublinhar o fato de ela estar a ser muito negativamente avaliada por diversas organizações internacionais. Se “uma nação se faz com homens e livros”, atualmente, as despesas com livros e jornais, apesar de serem consideradas indispensáveis à necessidade básica das pessoas à educação, são tributadas pelo IRPF. Tributamos o que não é renda, visto que a vigente legislação infraconstitucional não nos permite abater essa espécie de gastos, apesar de a Constituição, aprovada em 1988, prescrever que a educação é “direito de todos e dever do Estado”.

O sistema educativo brasileiro não gera cidadãos competitivos. A maioria dos alunos brasileiros:

– não tem curiosidade acerca de nada;

– muitos deles não dominam, sequer, as competências críticas da leitura, da escrita e do cálculo;

– no que se refere à língua portuguesa, há sérios problemas ortofônicos, semânticos e linguísticos por parte, tanto de alunos, como de professores;

– relativamente à Pesquisa, Inovação & Desenvolvimento, muito daquilo que, no Brasil, é considerado como produção científica, não passa de banalização, entendida como divulgação de conhecimento. Isto, tanto nas ciências humanas e sociais, quanto nas ciências exatas;

– finalmente, os alunos e a sociedade brasileiros confundem, de maneira que chegar a roçar o trágico, o conhecimento adquirido por intermédio do estudo com os certificados de competência (diplomas) que as escola outorgam.

Sob o ponto de vista econômico, a situação do Brasil é muito preocupante. A edição de janeiro da revista The Economist destacava: o “Brasil enfrenta desastre econômico e político”[6]. As agências de notação anunciaram recentemente: “a economia brasileira contrairá 2,81% em 2016 depois de sofrer em 2015 a sua maior queda nos últimos 25 anos (-3,7%), segundo as últimas projeções dos analistas do mercado financeiro”[7].

Se nos situarmos ao nível da dívida pública, verificaremos os seguintes aspectos-chave:

a. Governadores de dez Estados reuniram-se, dia 28 de dezembro de 2015, em Brasília, com o novo ministro da Fazenda, a respeito da iminente regulamentação da Lei que alterou o indexador das dívidas estaduais e municipais.

b. Enquanto a União é escorchada pelo serviço dívida, em favor dos bancos, transnacionais e rentistas ela suga os entes federativos, desde a federalização das dívidas, em 1997, principal fator de estarem quebrados financeiramente.

c. Os políticos foram cooptados, e o povo anestesiado por vários meios, sem falar na repressão e na mídia corrupta, para que se dessem favores inacreditáveis aos beneficiários das negociatas, desde a Lei da Desestatização, aprovada pelo Congresso em 12 de abril de 1991, proposta pelo Executivo, sob Collor.

d. Resultado: os patrimônios foram torrados (para o País), e a dívida pública continuou a crescer de forma exponencial, à taxa média de 18,65% aa. (janeiro de 1995 a agosto de 2015), de R$ 135,9 bilhões para R$ 3,86 trilhões (multiplicou-se por 28,4).

 

  1. Alhures, o Mundo

“Alhures” significa “em outro lugar, em outra parte”. Alhures é, portanto, em termos das Relações Internacionais, tudo aquilo que não nos pertencendo, faz parte do nosso conceito geoestratégico, integrando-se como alteridade em nosso conceito espácio-temporal. Alhures é, afinal de contas, o mundo em que vivemos e seus ecosistemas.

 

  • Guerra na Síria

Após a Turquia ter derrubado um caça-bombardeiro russo Sukhoi Su-24, em 24 de novembro de 2015, por alegada violação do espaço aéreo turco nas imediações de mediações de Yayladagi, a Guerra Civil da Síria “adquiriu novos desdobramentos, fazendo aumentar as tensões internacionais”[8]. Por outro lado, em 4 de dezembro daquele ano, “um contingente de soldados turcos chegou ao norte do Iraque, na província de Nineveh, nas proximidades da cidade de Mossul, que está sob o controle do Estado Islâmico desde junho de 2014. O Governo iraquiano reagiu de imediato à incursão turca e a classificou como sendo ‘um ato hostil’. No sábado, dia 5, o Ministro das Relações Exteriores do Iraque convocou o Embaixador turco e exigiu que a Turquia retire imediatamente as suas tropas do território iraquiano”[9].

No passado dia 8 de Fevereiro, o semanário português Expresso noticiou que os EAU se alinharam com a Arábia Saudita e o Bahrein, dizendo-se prontos para invadir a Síria. Para a Rússia, a invasão saudita da Síria é “um farol que pode iniciar a III Guerra Mundial”[10].

Dias mais tarde, em 14 de fevereiro, a agência notícias SANA anunciava uma “coluna de 12 camionetas equipadas com metralhadoras invadiu a Síria através da fronteira com a Turquia. […] Segundo Damasco, uns 100 homens armados, alguns dos quais, parece, eram soldados e mercenários da Turquia, iam nas camionetas”[11].

Entretanto, naquele mesmo dia, a agência Russia Today assinalava o desenvolvimento da posição russa: “a operação terrestre na Síria seria uma guerra em todos os sentidos e de longa duração”[12], segundo assinalou Dmitri Medvedev, o primeiro-ministro da Rússia, ao canal de televisão Euronews, no dia anterior.

 

  • Brexit

O Reino Unido, e Gibraltar, têm previsto realizar, antes do final de 2017[13], um referendo sobre a permanência do país na União Europeia, processo conhecido como Brexit, ou British Exit. A permanência do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia, tem sido um assunto controverso desde que o país aderiu ao bloco, em 1973.

O Conselho Europeu, que terá lugar em Bruxelas, nos dias 18 e 19 de fevereiro de 2016, tornará oficial a oferta ao Reino Unido para a sua permanência na União Europeia. As negociações levadas a cabo pelo governo britânico com os restantes sócios e as instituições europeias giraram em torno de quatro pedidos principais: a limitação dos direitos dos trabalhadores europeus em solo britânico, o reforço dos poderes dos Parlamentos nacionais, as salvaguardas para os países que não fazem parte do Euro, as medidas para aumentar a competitividade da União.

Algumas destas exigências geraram polêmica devido ao fato de enfraquecerem alguns dos pilares básicos da integração europeia, limitando o avanço rumo a maiores quotas de integração dos países que assim o desejem. Contudo, poucos, na Europa, pensam hoje que a União Europeia possa permitir-se perder um dos sócios com maior projeção internacional, fazendo com que o Brexit se some ao conjunto de crises que açoitam o projeto europeu.

Será que o referendo projeto consistirá na adequação da União Europeia à opinião pública do Reino Unido[14]?

 

  • Os Refugiados, na Europa

A Europa vive a maior entrada de pessoas deslocadas da sua História. Os pedidos de asilo continuarão a se incrementar enquanto as causas dos deslocamentos forçados continuarem sem se resolver. Apesar de a União Europeia procurar diferentes vias para fazer frente à situação – Acordo econômico com a Turquia, arriscar a continuidade da Grécia no espaço Schengen –, as ações isoladas não terão resultados enquanto não houver uma vontade política clara e conjunta.

Pol Morillas, Elena Sánchez-Montijano e Eduard Soler, em monografia recentemente publicada[15], encontraram dez efeitos colaterais, para a Europa, resultantes do problema dos refugiados:

1.º – A crise de valores: a União Europeia no banco dos réus.

Os valores europeus são universais, ou nacionais? Como chega aos cidadãos este relato dos valores e até que ponto podemos considerar a Europa como motor de motivação?

2.º  – A diluição do Estado de bem-estar.

A Europa, enquanto projeto político e social, aspira a um conceito de cidadania que transcenda a diversidade de modelos de cidadania nacional ancorados em noções territorializadas e excludentes da pertença a uma mesma cultura. Desde outra perspectiva, discursos abertamente transnacionais reivindicam a universalidade dos Direitos Humanos como princípio organizativo de uma cidadania europeia. Por outro lado, o Tratado de Roma, de 1957, reconhece o livre movimento de pessoas como um dos princípios fundamentais da Comunidade Europeia.

As recentes ondas migratórias pouco ou nada tem que ver com os movimentos migratórios, tanto intra-europeus, como extra-comunitários dos anos Sessenta e Setenta do século XX. As atuais sociedades de cada país, castigadas pela recessão e com desiquilíbrios graves, tanto na desigualdade como na participação no mercado laboral, não concedem as mesmas oportunidades àqueles que chegam de fora, tal como ocorria na Europa da expansão econômica plena. Por outro lado, as chamadas políticas multiculturais, ou de integração, introduzidas pelos governos europeus para gerir a diversidade resultado da imigração, criaram não poucas tensões e problemas.

3.º – Pressão e oportunidade nos mercados de trabalho.

A crise dos refugiados na União Europeia – com mais de 700.000 pessoas que chegaram somente em 2015 – se uniu à “pressão” migratória das últimas décadas, tendo gerado reações tanto contra – por seus efeitos acumulativos num mercado de trabalho em tensão pela baixa criação de emprego – como a favor – pela necessidade e obrigação de oferecer asilo às vítimas da perseguição política em seus países de origem.

A quantidade de refugiados em países que não são da União Europeia é ainda maior do que no bloco do Velho Continente. A Turquia recebeu mais de 2 milhões procedentes da Síria e outros 300.000 refugiados oriundos do Afeganistão, Iraque e Paquistão. O Líbano acolhe mais de 1 milhão de sírios e a Jordânia mais de 600.000 pessoas. Estas desproporções nos conduzem a efeitos diferentes nos mercados laborais, segundo os países e, inclusivamente, em outros mercados, tais como a habitação e a alimentação.

4.º – O direito de asilo em jogo.

Quem é bem-vindo à Europa? Refugiados, sim, imigrantes econômicos, não. Este é um dos mantras repetidos, uma e outra vez, pela maioria dos chefes de Estado e de governo europeus. Em inícios de setembro de 2015, Mariano Rajoy e David Cameron pediram conjuntamente que se diferenciem os refugiados dos imigrantes econômicos. Segundo Rajoy, a “Espanha não vai negar o direito de asilo a ninguém, mas há um assunto diferente: o da imigração irregular por razões econômicas”. Semanas depois, o  ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, lançava uma mensagem semelhante: “Estamos claramente comprometidos a integrar aqueles que merecem ser protegidos. Aqueles que não, terão de ir embora”.

5.º – Schengen em xeque.

Schengen é reconhecido, pelos próprios cidadãos europeus, não somente como um pilar fundamental da União Europeia, mas também como a sua principal conquista. Contudo, a crise dos refugiados está colocando em xeque estes êxitos e está questionando a viabilidade e a continuidade deste direito.

6.º – O aprofundamento da divisão entre o Oeste e o Leste.

Chegou-se a escrever que a crise dos refugiados quebrou a Europa em dois. Isto exemplifica como se está gerando um choque de civilizações dentro do Ocidente, com uma parte da Europa dando as boas-vindas aos que fogem da guerra e outra, que lhes proíbe a entrada; com uma que argumenta que deve antepor-se a proteção dos Direitos Humanos nesta crise humanitária e outra que reclama a proteção das identidades nacionais e étnicas daquilo que considera ser uma ameaça à civilização europeia. Ambas Europas encontram sua máxima expressão na aliança entre a Alemanha de Angela Merkel e a Comissão Jean-Claude Juncker, por um lado, e o governo húngaro, de Viktor Orbán, que encabeça o Grupo de Visegrado (também integrado pela República Checa, a Polônia e a Eslováquia), por outro.

7.º – Uma Alemanha mais aberta e dividida.

A Alemanha adotou um papel de liderança na atual crise dos refugiados. O país acolheu quase 1 milhão de refugiados, em 2015, tendo se produzido na sociedade civil uma ampla mobilização de voluntários dispostos a prestar-lhes ajuda. A Alemanha deixou de aplicar, aos refugiados sírios, em agosto de 2015, o Regulamento de Dublin: seu cumprimento obrigaria o governo alemão a devolver os refugiados aos países pelos quais entraram na União Europeia como, por exemplo, Itália e Grécia, lugares onde eles teriam que procurar obter asilo; pouco tempo depois, a ajuda se levou a cabo deixando entrar no país, sem trâmites, os refugiados abandonados pela Hungria.

8.º – As debilidades da política exterior europeia.

A chegada massiva de refugiados, procedentes sobretudo da Síria mas, também, de outros países como o Afeganistão e a África Subsariana, demonstrou que a política exterior da União Europeia está em fanicos. Não se trata de uma questão de falta de coerência entre os diferentes Estados-membos em sua resposta ao maior movimento migratório desde a II Guerra Mundial; nem de um assunto exclusivamente relacionado com a não utilização das ferramentas disponíveis na União Europeia (ajuda humanitária, política de vizinhança) para conseguir os melhores resultados; o fracasso também não deriva de erros administrativos simples, que poderiam ser facilmente resolvidos. Ele se trata, principalmente, de um erro de conceito.

9.º – A Turquia se tornou indispensável.

A Turquia é uma peça essencial na crise dos refugiados. Isto por três motivos. Primeiro, porque este país acolhe mais de 2 milhões de refugiados sírios. Segundo, porque este número continuará aumentando: sem ir mais longe, mais de 50.000 sírios, a maioria proveniente de Aleppo, cruzaram a fronteira turca em pouco mais de duas semanas fugindo dos bombardeamentos russos. Terceiro, porque se converteu num hub migratório, sendo a principal plataforma desde a qual sírios, afegãos e iraquianos tentam acessar o território da União Europeia, numa altura em que as outras vias de acesso, como a Líbia, não são somente mais distantes, mas também mais perigosas.

10.º – Rússia complica o panorama humanitário e diplomático.

Com o início da intervenção militar na Síria, em 29 de setembro de 2015, a Rússia, Moscu soube se situar, novamente, no centro dos debates europeus. Esta situação se viu reforçada na sequência dos atentados terroristas de Paris, em 13 de novembro do ano passado e sua oferta imediata de aliança com França para “combater a ameaça comum” que o Estado Islâmico representa. A intervenção russa na Síria complicou um panorama já por si complexo para a União Europeia: sua oferta de colaboração levanta uma série de dilemas e custos para Bruxelas, que os Estados-membros devem avaliar cuidadosamente.

 

(J. M. DE BARROS DIAS, “Breve Radiografia da Situação Internacional: Portugal, Brasil e Alhures”. Palestra proferida na Associação Paranaense de Imprensa, Curitiba, 19.02.2016)

* Professor Universitário.

[email protected]

[1] Cf. Aavv, Posição Conjunta do PS e do PCP sobre Solução Política – Posição conjunta do PS e do PCP sobre Solução Política, Lisboa, 15 de novembro de 2015.

Disponível online:

http://www.pcp.pt/sites/default/files/documentos/posicao_conjunta_pcp_ps_sobre_situacao_politica.pdf

[2] EDUARDO LOURENÇO, Nós e a Europa ou as Duas Razões, 3.ª ed., Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1990, p. 23.

[3] P.e ANTÓNIO VIEIRA (Prefácios e notas de António Sérgio e Hernâni Cidade), Obras Escolhidas, Lisboa, Livraria Sá da Costa – Editora, 1954, Vol. X (Sermões. I), p. 257.

[4] Redação, “Para Le Monde, economia brasileira está na UTI”, s. l., RFI – Seção Brasileira, 10 de dezembro de 2015.

Disponível online:

http://br.rfi.fr/brasil/20151210-para-le-monde-economia-brasileira-esta-na-uti

[5] Cf. AAVV, Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika, Brasília, Brasília – DF, Ministério da Saúde – Secretaria de Vigilância em Saúde, 2015, 67 págs. [Versão 1].

[6] Redação, “‘The Economist’ Diz que Brasil Enfrenta Desastre Político e Econômico”, G1, 30 de dezembro de 2015.

Disponível online:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/12/economist-diz-que-brasil-enfrenta-desastre-politico-e-economico.html

[7] Redação, “Empeoran las Previsiones para Brasil: se Contraerá un 3,7% en 2015, Una Décima Más de lo Esperado”, Economíahoy.mx, 28 de dezembro de 2015.

Disponível online:

http://www.economiahoy.mx/economia-eAm-mexico/noticias/7247693/12/15/Empeoran-las-previsiones-para-Brasil-se-contraera-un-37-en-2015-una-decima-mas-de-lo-esperado-.html

[8] Marli Barros Dias, “Crise nas Relações Russo-Turcas Após o Abate do Bombardeiro Russo Sukhoi Su-24”, CEIRI Newspaper, São Paulo, 3 de dezembro de 2015.

Disponível online:

http://www.jornal.ceiri.com.br/crise-nas-relacoes-russo-turcas-apos-o-abate-do-bombardeiro-russo-sukhoi-su-24/

[9] Marli Barros Dias, “Bagdá Exige a Retirada das Rropas Turcas do Território Iraquiano”, CEIRI Newspaper, São Paulo, 10 de dezembro de 2015.

Disponível online:

http://www.jornal.ceiri.com.br/bagda-exige-a-retirada-das-tropas-turcas-do-territorio-iraquiano/

[10] Redação, “EAU Alinham-se com Arábia Saudita e Bahrein e Dizem-se Prontos para Invadir a Síria”, Expresso, Lisboa, 8 de fevereiro de 2015.

Disponível online:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-02-08-EAU-alinham-se-com-Arabia-Saudita-e-Bahrein-e-dizem-se-prontos-para-invadir-a-Siria

[11] Redação, “Rusia: ‘La Operación Terrestre en Siria Sería una Guerra en Todo su Sentido’”, RT, Moscu, 14 de fevereiro de 2016.

Disponível online:

https://actualidad.rt.com/actualidad/199623-operacion-terrestre-siria-guerra-larga

[12] формулировка, “НОВОСТИ – Медведев о Сирии: наземная операция – это война”, Euronews, Bruxelas, 13 de fevereiro de 2016.

Disponível online:

http://ru.euronews.com/2016/02/13/conversation-with-russian-prime-minister-dmitry-medvedev/

[13] Aavv, “European Union Referendum Bill (HC Bill 2)”, Publications.parliament.uk. 28 de maio de 2015.

Disponível online:

http://www.publications.parliament.uk/pa/bills/cbill/2015-2016/0002/cbill_2015-20160002_en_2.htm#pb1-l1g5

[14] Cf. Pol Morillas, “Las Negociaciones sobre Brexit: ¿Ajustando Europa a la Opinión Pública Británica?”, Barcelona, CIDOB – Barcelona Centre for International Affairs, Setembro de 2015.

Disponível online:

http://www.cidob.org/es/publicaciones/serie_de_publicacion/notes_internacionals/n1_126_the_brexit_negotiations_stretching_europe_to_fit_uk_public_opinion/las_negociaciones_sobre_brexit_ajustando_europa_a_la_opinion_publica_britanica

[15] Cf. Pol Morillas, Elena Sánchez-Montijano & Eduard Soler, Europa Ante la Crisis de los Refugiados. 10 Efectos Colaterales, Barcelona, CIDOB – Barcelona Centre for International Affairs, 2015, 39 págs.