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por Gad Saad, no Psychology Today.

 

Numerosos chefes de estado, incluindo Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) e David Cameron (Reino Unido) recentemente proclamaram que o multiculturalismo é um fracasso absoluto (veja aqui ). Muitas pessoas ficam desconcertadas com essa posição, quando confundem o multiculturalismo como uma filosofia política normativa com o uso coloquial do termo que representa a heterogeneidade cultural e a religiosa étnica (ou pluralismo). Este último significado é um objetivo muito louvável, uma vez que tal diversidade cria uma tapeçaria social mais rica. Por outro lado, o multiculturalismo (daqui em diante capitalizado) no primeiro sentido do termo é mais do que meramente uma filosofia política falida. É uma causa central da lenta erosão da civilização ocidental. Para uma crítica aprofundada desta filosofia política, veja o livro de Salim Mansur:  Delectable Lie: A Liberal Repudiation of Multiculturalism (Mentira Deleitável: Um Repúdio Liberal do Multiculturalismo).

Uma das características definidoras do Multiculturalismo é o princípio de que todas as culturas são igualmente valiosas, boas e dignas de respeito, se não de uma celebração completa. Isso em parte deriva de uma mistura de pós-modernismo (“não há verdades objetivas”) e de relativismo moral/cultural (“Quem somos nós para julgar os preceitos morais e ou culturais de outro povo?”). Para uma discussão desses princípios equivocados, veja meus posts anteriores aqui e aqui . Uma consequência do multiculturalismo é a noção de que as nações/culturas anfitriãs não devem esperar que os novos imigrantes internalizem o ethos definidor da nação anfitriã. Pelo contrário, assume-se que cada grupo cultural manterá sua identidade distinta independentemente de seus valores culturais fundamentais serem contrários aos da nação anfitriã. A falta de integração e assimilação não são necessariamente resultados ruins, de acordo com o multiculturalismo, já que esse isolacionismo é visto como uma instanciação do orgulho cultural.

Deixe-me abordar, primeiro, a suposta igualdade das culturas. Nada poderia estar mais longe da verdade. Culturas que asseguram a igualdade legal dos sexos, que protegem os direitos das minorias religiosas e homossexuais, que fornecem proteção legal para a liberdade de consciência , liberdade de expressão, liberdade de religião e liberdade de associação, que institucionalizam a separação entre Estado e Igreja, são infinitamente superiores àquelas que não o fazem. Não há nada de vergonhoso, arrogante ou chauvinista em afirmar isso. Milhões de pessoas de todo o mundo procuram entrar nos Estados Unidos e no Canadá, mas poucas pessoas fazem fila para emigrar para Cuba, Coréia do Norte e Arábia Saudita. Os padrões anuais de imigração global nos últimos 100 anos falam desse fato trivialmente óbvio. Da mesma maneira que uma pessoa psicologicamente saudável é aquela que não está crivada de auto-aversão suicida , uma civilização saudável não pode ficar acorrentada a um ódio infinito (uma realidade muito frequente entre a intelligentsia ocidental). De todas as maneiras pelas quais as sociedades podem ser organizadas, as democracias liberais ocidentais constituem a ideal. Isso não significa que o Ocidente tenha criado sociedades perfeitas desprovidas de males sociais. Pelo contrário, implica que o florescimento dos indivíduos em todas as suas formas é melhor garantido por sociedades que estão enraizadas em liberdades individuais, como consagrado na Declaração Americana de Direitos e na Constituição Americana.

As nações ocidentais estão perfeitamente dentro de seus direitos soberanos de ditar as condições civilizacionais às quais os novos imigrantes devem aderir. Este é o preço mínimo a pagar por ter o privilégio de começar uma nova vida em uma sociedade acolhedora. Isso significa que os novos imigrantes devem aceitar e assimilar-se dentro do ethos definidor das democracias liberais. Não deve-se abrir mão nem uma única polegada de nossas tradições liberais fundamentais  sob o disfarce de multiculturalismo (e todos os seus princípios absurdos e equivocados, como o relativismo moral e cultural). Isso não significa que as pessoas não devem se orgulhar de suas heranças culturais, religiosas e étnicas. Pelo contrário, a maioria dos elementos específicos da cultura (por exemplo, linguagem, música, tradições culinárias) deve ser celebrada na criação de uma sociedade multicultural (não capitalizada), desde que não colidam com os princípios das democracias liberais. Todos somos enriquecidos por nossas respectivas origens culturais e únicas. No entanto, se a sua cultura contém elementos que visam derrubar e/ou alterar irrevogavelmente a nossa ordem social existente, então você não tem o direito de promover – nem viver de acordo com – esses valores.