DA SÉRIE: 50 MÁQUINAS QUE MUDARAM O RUMO DA HISTÓRIA. VAMOS FALAR SOBRE O SISTEMA DE CORRENTE ALTERNADA DE WESTINGHOUSE. QUE VENCEU A GUERRA DAS CORRENTES CONTRA O SISTEMA DE CORRENTE CONTÍNUA DE EDISON.

Conhecendo as Correntes

A Guerra ou Batalha das Correntes, ocorreu na década de 1890 nos Estados Unidos, onde os principais protagonistas foram: Thomas Edison (1847-1931), criador da Corrente Contínua e George Westinghouse (1846-1914), pai da Rede Elétrica Moderna, que optou pelo sistema de Nikola Tesla (1856-1943), desenvolvedor da Corrente Alternada.

A Corrente Continua é a eletricidade que flui constantemente de um polo a outro (do negativo para o positivo), seu exemplo é observado em pilhas e baterias.

Os sistemas de Corrente Contínua por serem de maior tensão devem ser monitorados de perto para evitar o fenômeno conhecido como “Arco Voltáico”, que, com uma pequena falha do equipamento, como um cabo danificado ou conexão elétrica solta, representa um risco significativo de incêndio e choques elétricos, tal fenômeno pode ocorrer pelo fato da corrente ser constante é difícil de pará-la.

A primeira central elétrica foi construída em 1882, em Nova York, por Thomas Edison, usando Corrente Contínua. A energia flui do gerador direto para as casas, com baixa voltagem. Mas, a distância entre as casas e a usina era no máximo de 800 metros. A Corrente Continua perde potência com a distância e exige cabos mais robustos, que por necessitarem ser de cobre puro, torna o sistema caro.

Na Corrente Alternada, os polos são invertidos dezenas de vezes por segundo e a eletricidade corre em zigue-zague. Os sistemas de Corrente Alternada utilizam Micro Inversores APsystems e operam em baixa tensão, que traz benefícios e segurança e não perde potência com a distância.

A Guerra das Correntes

Tesla fora empregado da Companhia de Iluminação Edison entre 1882 e 1885. Em 1885, ele tentou apresentar seu revolucionário projeto de Motor de Corrente Alternada para Edison, junto com todo um novo esquema de geração e distribuição, mas, foi em vão. 

Em 1886, Edison ofereceu a Tesla 50 mil dólares se conseguisse melhorar seus geradores de Corrente Contínua. Tesla, trabalhou obsessivamente e entregou os resultados. Ao cobrar a fatura, ouviu de Edison que era brincadeira: “Tesla, você não entende o humor americano”. Imediatamente, Tesla apresentou sua demissão. Edison no fundo estava muito mais preocupado com Westinghouse, um concorrente direto nos negócios, do que com Tesla.

Em 15 de abril de 1888, um menino topou com um cabo solto pela tempestade e foi eletrocutado. “Na primavera de 1888, a morte por cabo elétrico se tornou, pela primeira vez, uma imensa preocupação da imprensa nova-iorquina”, afirma Jill Jonnes. Além da morte do menino diversos trabalhadores tentando entender o emaranhado também morreram e esses cabos perigosos eram da Corrente Alternada e a população começaria a associar a eletricidade de alta voltagem com perigo e morte.

Em 5 de junho de 1889, o engenheiro Harold Brown iniciou sua cruzada aparentemente pessoal contra a Corrente Alternada, lançando um artigo no New York Post: “A única desculpa para o uso da fatal Corrente Alternada é que livra a companhia que a opera de gastar uma grande quantidade de dinheiro nos cabos de cobre mais pesados, necessários para a iluminação incandescente. Mas, em 25 de agosto de 1889, Brown seria desmascarado. Num artigo no New York Sun, foi revelado que ele estava sendo patrocinado por Edison. Mas, a guerra continuou.

Fim da disputa

A execução de William Kemmler, na Cadeira Elétrica, foi o auge da Guerra das Correntes. O fracasso da eletrocussão em se provar um meio “humano” para executar criminosos, foi uma vitória para seus patrocinadores. Executivos da Companhia de Iluminação Edison fizeram uma proposta maliciosa, reproduzida pela imprensa. “Como o dínamo de Westinghouse será usado para o propósito de executar criminosos, por que não dar a ele o benefício desse fato nas mentes do público e falar em um criminoso ser westinghousado?” Com a Cadeira Elétrica, “os executivos de Edison saboreavam a mais monstruosa das vitórias na Guerra das Correntes”, comenta Jill Jonnes. 

A execução de William Kemmler / Wikimedia Commons

Mas, a batalha já estava quase perdida. Acumulando prejuízos, pressionado pelo setor financeiro de sua empresa, onde já reconheciam que a derrota era certa. Edison nunca aceitou a derrota a para a Corrente Alternada, até que em 1889 através da fusão de várias empresas foi formada a Edison General Electric, a qual ele perdeu seu controle acionário. Contra sua vontade a subsidiária Edison Machine Works começou a desenvolver equipamento de Corrente Alternada. Em abril de 1892, sua companhia foi fundida com a Thomson-Houston, que trabalhava com Corrente Alternada. A nova empresa chamou-se General Electric, sem Edison.

Um mês depois da fusão, Westinghouse ganhou da General Electric a concorrência para iluminar a Feira Mundial de Chicago. O sucesso levou a sua companhia a ter autorização para criar a Usina Hidroelétrica de Niagara Falls, concluída com a colaboração de Tesla.

Foi um imenso triunfo da engenharia, que abriu espaço para a universalização da Corrente Alternada. “A Guerra das Correntes terminava”, afirma Jill Jonnes. “George Westinghouse, Nikola Tesla e a Corrente Alternada venceram. O mundo estava prestes a mudar para sempre.” 

No fim da década de 1890, a Corrente Contínua já havia perdido totalmente a Guerra das Correntes, pois, as maiores nações do mundo já investiam pesado na Corrente Alternada.

“Uma das maiores vantagens comerciais da Corrente Alternada era o fato de ela permitir a transmissão de energia a longa distância, algo que a Corrente Contínua de Edison não podia fazer.”. M. SCHIFFER, POWER STRUGGLEs (2008)

Referências Bibliográficas

A GUERRA das correntes. Casa do Micro Inversor, 2019. Acesso em 04 de fev. de 2020.

CHALINA, Eric. 50 Máquinas que mudaram o Rumo da História. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro. Sextante. 2014.

TESLA vs Edison: A disputada guerra das correntes: Aventuras da História, 2019. Acesso em 04 de fev.2020.