1 OBJETO

A monografia a qual o projeto se refere terá como objeto a análise da angústia do sujeito articulada na obra do filosofo Soren Kierkegaard. De forma específica, vai abordar sua fundamentação teórica conforme tratada nos livros, O Conceito de Angústia, Temor e Tremor e o Desespero Humano, que se relacionam no pensamento do filósofo.

O problema que se coloca de imediato pode ser resumido na pergunta, sobre como é possível justapor a angústia e o sujeito? E quais são os seus fundamentos teóricos? Em virtude da angústia não ser um objeto meramente dado ou palpável como qualquer outro ente intramundano, a angústia é um fenômeno existencial. Não pode ser medida, calculada ou matematizada, tudo o que temos, é o seu gás pairando na atmosfera subjetiva de cada um. No prólogo de seu livro, O Conceito de Angústia, Kierkegaard, vai filosofar frente aos olhos do dogma do pecado original, isto dentro dos limites da teologia, filosofia e psicologia. Kierkegaard, quando trabalha este conceito de angústia dentro da filosofia, faz citações a religião judaico-cristã e a psicologia, todavia o seu escopo é ontológico. Kierkegaard, também é um autor que fundamenta sua ideia, seu conceito de angústia a partir de si mesmo. No diário, com data de agosto 1935, diz: “o que me falta é ter clareza comigo mesmo, sobre o que devo fazer, e não o que devo conhecer.” (FARAGO, 2005, apud Gallimard 1941)

Finca sua tese como existencialista autêntico, é chamado Pater, desta filosofia, o autor faz a jus a paternidade lhe dada, a sua obra é matriz para todas as formas de existencialismo posteriores, fornece fundamentos para Martin Heidegger, Sartre e outros.

Kierkegaard, fala do pecado como assunto a-religioso, e diz que o pecado é “sui gêneris”, ou seja, algo singular, é uma doença impossível de ser tratada pelos médicos, no fundo o pecado que precede a angústia do ser em Kierkeegaard, não fica sob alçada de nenhum ramo do conhecimento. (KIERKEGAARD, 2007a). Para Kierkegaard, a teologia do seu tempo era incapaz de tratar com afinco, o pecado e a sua derivação, a saber a angústia, embora conhecesse os métodos exegéticos teológicos buscou uma inflexão metodológica e diz que desde o instante que aparece o conceito de pecado, a ética faz a sua intervenção e acompanha-o “pari passu”. O caminho que Kierkegaard percorre, não se interessa em trânsito, em saber como aquele adentrou ao mundo. A ética usada pelo autor preocupa-se com a evolução continua desse mal, enquanto este se conserva no embrião da possibilidade. (KIERKEGAARD, 2007a).

O Problema se propõe na proposta de pensar, na problemática da angústia, usando a liberdade, de trabalhar o seu conceito filosófico como um comércio aberto e livre, por isso, o autor utiliza o mito de Adão, onde o mesmo condena todas as meritórias fantasias católicas, que exprimem o conceito de inocência no mito. Ora, o que é inocência? É a ignorância, o que existe então? Nada. Que efeito produz esse nada? Esse nada dá nascimento a angústia, a angústia é a determinação do espírito sonhador. É partindo de sua crença usando a ilustração do mito, onde o nada produz a angústia que Kierkegaard vai tecer uma linha extensa do seu conceito.

O existente vive a tensão que lhe habita o ser, esta tensão ontológica provoca o dilaceramento intimo, isto provoca uma divisão interna, nesta divisão constitutiva a clivagem da alma e o corpo é chamado a se juntar incoativamente a si mesmo. (KIERKEGAARD, 2005).

O seu pensamento ultrapassa fronteiras de um simples cogito, em O Conceito de Angústia, Kierkegaard diz ser a tal “antipatia simpatizante e simpatia antipatizante”. O autor mostra esse fenômeno existencial como algo de tal modo fundamental, que declara que até mesmo a criança em seu estado inocente sente a sua inquietação, entretanto, não desejo dispensá-la, até quando é inquietada pela angústia mostra-se encantada com a sua suave inquietação. (KIERKEGAARD, 2007a).

Kierkegaard, trabalha a questão do nada, outrora dito por Pascal usando o termo “tédio”, quando o matemático diz em seus pensamentos: “nada é mais insuportável ao homem do que um repouso total, sem paixões, sem distrações, sem atividades, o ser sente o seu nada, seu vazio, sua insuficiência, a melancolia, o desespero”. (PASCAL, 2005, pág.64)

Kierkegaard, mostra a relação da angústia com o seu objeto como alguma coisa que é nada. (Esta costuma ser a linguagem corrente), o homem diz exatamente estar angustiado com o nada. (KIERKEGAARD, 2007a)

Uma via possível para iniciar esta relação do nada e o advento da angústia, ainda para Kierkegaard, é o mito de Adão, onde o filosofo diz, que Adão ficou inquieto com a proibição, por que nele desperta a possibilidade de liberdade. O que se ofertava a inocência como o nada da angústia que adentrou-o e conserva ainda aqui um nada: a aflitiva possibilidade de poder. (KIERKEGAARG, 2007a).

Em Kierkegaard, o homem é síntese do finito e infinito. Alias isto lembra Pascal, quando pergunta: “o que é o homem dentro da natureza afinal?” Nada em relação ao nada, um ponto intermediário entre tudo e nada. Mantêm-se ocultos num segredo impenetrável, e é impossível ver o nada de onde saiu, e o infinito que o envolve. (PASCAL, 2005, pág.44).

Este ser, síntese do temporal e do eterno é o homem para Kierkegaard. Nele, isto é, no homem, há interação da alma e do corpo que assim fixa o espírito, onde o ser vive apenas o instante, esse algo ambíguo onde o tempo e a eternidade se tocam, onde o finito e o infinito expressa-se no ser do homem. (KIERKEGAARD, 2007)

Torrieri Guimarães, que prefaciou a obra Temor e Tremor, de Kierkegaard, diz que: “a angústia do sofrimento interior, o desespero de estar fora do âmbito da verdade, sempre perseguida e sempre afastada pela duvida, constituem os fundamentos.” Na outra supra-citada, Kierkegaard, usa a narrativa bíblica da História de Abraão, para fundamentar a sua comunicação existencial, Kierkegaard, mostra que os grandes homens hão de permanecer na memória dos pósteros, porém cada qual deles foi grande pela importância que combateu, pois aquele que combateu contra o mundo, foi grande no seu triunfo contra o mundo, o que lutou consigo mesmo, foi grande pela vitória alcançada sobre si. Na narrativa bíblica, Deus pediu a Abraão seu filho como sacrifício, ele não hesita, atende o pedido e caminha em direção ao monte  para sacrificar seu filho Isaque.

Existem diversos comentários no tocante a fé de Abraão, mas Kierkegaard foi penetrante mais que uma espada de dois gumes. Ele mostra que uma coisa foi omitida na historia? A angústia. (KIERKEGAARD, 2008)

Kierkegaard, na sua obra não poupa criticas a Hegel e seu sistema filosófico. Diz que Hegel é obscuro, incompreensível, mais quando medita sobre Abraão, Kierkegaard, não o entende como um religioso, mas o interpreta de forma existencial, confessa um sentimento de aniquilação. Diz cair a todo momento no paradoxo inaudito que é a substancia da sua existência, o homem silencioso  que suporta a angústia, do caminho de três dias, sem dizer uma só palavra. Fascina Kierkegaard, mais que Hegel, Descartes ou Kant, a sua simplicidade e singularidade, o seu desespero velado, a sua aflição, tribulação é o substrato para embasar a filosofia existencialista e autêntica de Kierkegaard. (KIERKEGAARD, 2008)

Ele não quer  comunicar um sistema privilegiado, uma filosofia densa para os doutores, como queria Kant. Não queria expressar o método cartesiano ou corpenicano de ver o mundo em sua analogia talvez a mais simples de todas, mais sem dúvida de uma profundidade incomensurável. Kierkegaard. Com muita conspicuidade comunica a dor da renúncia de um ser, ao que mais ama no mundo, e entretanto saboreia o finito com tão pleno prazer como se não tivesse conhecido nada de melhor, não demonstra inquietação ou temor, diverte-se com uma calma tal que, dá a entender que não existe neste mundo nada mais certo que o finito. (KIERKEGAARD, 2008).

O filósofo em sua obra Temor e Tremor, continua a usar a figura bíblica e primitiva de Abraão, para mostrar até que ponto o sujeito deve se afirmar como sujeito. E faz uma pergunta: existe uma suspensão teleológica da moralidade? Kierkegaard, diz que a moralidade está no geral e sob esse aspecto aplica-se a todos. E esta moralidade, diz Kierkegaard, toma o sujeito de imediato e lhe dá missão moral de cumprir o seu telos, isto é, o seu fim no geral. Sendo assim, perde-se o caráter de sujeito para atingir a generalidade. E para o geral, Kierkegaard, em sua obra elucida que se o sujeito reivindicar a sua individualidade diante do geral, ele comete erro, pois o geral aniquila o seu caráter de ser ímpar. E o indivíduo se abandona enquanto individuo, em função da moralidade, e Kierkegaard, pergunta de novo é possível suspender teleologicamente, ou seja, finalmente a moralidade? (KIERKEGAARD, 2008).

Kierkegaard diz que paradoxalmente o sujeito deve estar acima do geral, e a história de Abraão suporta esta suspensão da moralidade e Abraão enquanto indivíduo aniquila toda expressão da moralidade, e a moralidade no ato do sujeito Abraão possui o seu telos, isto é, o seu fim. Toda ideia de moralidade fica suspensa no ato do patriarca. Kierkegaard demonstra em uma simples narrativa bíblica, a angústia da existência e a sua afirmação desvelada no sujeito. Kierkergaard mostra que Abraão não é egoísta,  mais te tal modo sujeito, que o seu ato é inteiramente por amor a si próprio. E esse amor a si próprio, não é característica de egocentrismo, mais uma tentação a moral enquanto aniquiladora  da identidade singular do sujeito. (KIERKEGAARD, 2008).

O autor diz que o segredo da existência esta em cada um. Isto é, cada qual deve costurar sua própria camisa, cada um deve viver sua própria vida, sua própria morte, sua própria angústia, e o seu próprio desespero na linha tênue da existência. (KIERKEGAARD, 2008).

Soren Kierkegaard era admirador de Sócrates, e para ele a máxima “conhece-te a ti mesmo”, era de fato a expressão do sujeito. Em o Conceito de Angústia, Kierkegaard diz, que a certeza e a interioridade são pois a subjetividade, porém não em sentido simplesmente abstrato, a subjetividade abstrata  sofre exatamente a mesma dubiedade que a objetividade abstrata. Kierkegaard diz que a subjetividade abstrata precisa de conteúdo ele procura elucidar a carência de interioridade. Pois se há certa carência de interioridade há mesmo compreensão, pois declara que a interioridade é uma compreensão. Ora, se há falta de compreensão ou introspecção falta a compreensão de si. O autor demonstra no mesmo título, que havendo essas faltas gera-se a falta de consciência e esta procura afastar o ser da liberdade.

O filosofo do eu, relaciona o conteúdo mais completo da consciência e assevera que pode dispor da consciência de si, ou seja, do próprio sujeito. Na análise de Kierkegaard, há sempre uma atividade, e a interioridade deve equivaler a consciência do eu, visto quê, a carência de interioridade se expressa pela angústia de se conquistar tal consciência. (KIERKEGAARD, 2007b)

O “eu”, é uma relação que não se estabelece com qualquer coisa de alheio a si, mais a pena consigo mesmo. O “eu” mergulha na sua própria transparência até o poder que o criou. (KIERKEGAARD, 2007b)

Para Kierkegaard, o “eu” pode ser expresso de um modo típico, e de forma pitagórica na expressão o número ímpar é mais perfeito que o numero par, ou seja, o homem é um único ser capaz de ter consciência do “eu”. E este paradoxo incompreensível, é também o ser que possui superioridade e esta consiste no desespero que é algo humano. O animal não se desespera, não porque tenha esperança, mas porque lhe falta consciência do “eu”. O desespero esta em nós, a ideia Kierkegaardiana, se fundamenta no desespero que é uma categoria do espírito, o autor o chama de “doença mortal”, enfermidade do “eu”, o “eu” é a relação voltada do si mesmo.

O “eu” do homem o angustia de modo quê quando o ambicioso grita “ser César ou o nada”, ai ele não consegue ser César, então desespera. No fundo não é por não se tornar César que desespera, mais do “eu” que não deveio. Esse mesmo “eu” o alegraria, mais o fato é quê não é não ter se tornado César que é insuportável, mais o “eu” de não ter se tornado César, é isto que ele não suporta, é não poder libertar-se do seu “eu”. (KIERKEGAARD, 2007b).

A própria articulação dos conceitos discorridos é de forma intencional. Porque o autor interelaciona nessas obras, a angústia do sujeito e o desespero humano, essas categorias da existência são realidades irredutíveis ao saber humano, ou do pensamento, assim contradiz Descartes, em tom polêmico afirma: “quanto mais penso menos sou, quanto menos penso mais sou”, “não existo porque penso, mais penso porque existo”, eis a fórmula existencialista de Kierkegaard.

O Desespero Humano é uma obra que sintetiza o sujeito, a angústia e o desespero dialeticamente, e diz precisamente que a flor da idade cheia de alegria e felicidade, paz e harmonia é uma forma de desespero, pois no âmago da questão na sua mais secreta profundidade habita também a angústia que é o desespero, e que só aspira velar-se aí, já que não há mais lugar na predileção do desespero, do que o mais intimo e profundo da felicidade, “oh! Bem sei”, diz Kierkegaard, quanto se diz da angústia humana…

Ela é tão pertinente ao sujeito que pode ser chamada de substrato do próprio sujeito, e o desespero, oh! O desespero, este é universal e habita no universo do “eu”. (KIERKEGAARD, 2007b).

2 OBJETIVO GERAL

A dissertação se propõe a investigar a angústia do sujeito no pensamento de Soren Kierkegaard, fazendo uma investigação racional, mais não racionalista, trilhando o caminho do existencialismo apaixonado que forma o filósofo. Partindo desse pressuposto o estudo tem como objetivo analisar de que forma o filósofo articula em sua obra O Conceito de Angústia, relacionado a ideia de ser uma determinação do espírito, isto é, uma disposição fundamental vivida apenas pelo sujeito no âmago do seu ser.

2.1 OBJETIVOS ESPECIFÍCOS

A pesquisa vai abordar como um dos objetivos específicos, a linguagem analógica usada pelo autor para fazer a sua comunicação existencial. O relato do mito de Adão, e a história de Abraão, tecem o enredo com os elementos do quebra-cabeça antropológico.

O estudo irá examinar o tratamento dado na obra, bem como a linguagem usada como meio de acesso ao fenômeno da angústia e a sua imanência no ser universal. O texto propõe o enigma novo de se conhecer, de que modo alguém pode ficar convencido de que isso se constitua uma explicação, a saber o auto-conhecimento. (KIERKEGAARD, 2007a)

O pensador articula o seu pensamento com a crítica ao sistema hegeliano, de ver o ser, o autor mostra que entre inúmeras possibilidades, esta a possibilidade da realidade da liberdade, que é almejado pelo ser humano diante desta situação. A inquietação ambígua é a angústia, ela é realidade da liberdade como possibilidade da possibilidade.

O que Kierkergaard faz é criticar toda forma de superficialidade, e de isenção de responsabilidade que o sujeito posterior e as suas ciências visam através de uma apologética. Por isso afirma que o conceito de angústia não tem lugar específico em ciência alguma. O obreiro do existencialismo fez sua de forma absoluta a sua injunção: “que cada um se prove a si mesmo”. Esta é a lógica da existência que fundamenta a interioridade do sujeito eminentemente paradoxal quando diz: “uma das minhas faces ri, a outra se derrama em lágrimas”, isto é, um desvelamento da angústia no sujeito. (FARAGO, 2005 apud Gallimard, 1941).

3 JUSTIFICATIVA

A angústia e as questões ligadas ao seu tema como medo, morte e desespero ganharam um grande espaço nos círculos filosóficos dos últimos anos. Os matizes epistemológicos dos temas, é abordado por psicólogos, psiquiatras, e sociólogos, e até mesmo por uma neo-filosofia cognominada filosofia clínica. Entretanto, a discussão do tema é pertinente aos átrios da filosofia, esquematizada no pensamento de Kierkegaard. As análises metodológicas das obras de Soren Kierkegaard foram utilizadas por filósofos contemporâneos que se destacaram no existencialismo, a saber Martin Heidegger, Jean-Paul-Sartre e outros. Que trabalharam os temas de angústia, medo e desespero humano de uma forma eminentemente humanística no século XX, talvez por um preconceito aos fenômenos apresentados nas crenças religiosas e nos mitos. Falaram da angústia como disposição fundamental, abertura ontológica,  e liberdade absoluta, nos moldes da fenomenologia tudo isto para secularizar o tratado, e emblemá-lo com o selo do ateísmo. Todavia, não podem esquecer que a filosofia Kierkegaardiana, foi precursora disso tudo, e quando Kierkegaard, utiliza a linguagem figurada ilustrada no mito de Adão, e alude ao conceito de pecado moldado pelo ética, e quando não recorre a metafísica clássica, porque não era aristotélico mais socrático, entretanto, concebe a linguagem como instrumento do pensamento, como dizia Aristóteles.

Kierkeggard, e sua autenticidade usa a narrativa bíblica de Abraão para descrever a angústia velada no sujeito e quando o sujeito se afirma como sujeito. E esta angústia vertigem da liberdade é tão onipresente no ser e este ser é o tão simples mito de Adão onde o autor faz uma comunicação existencial profunda para a humanidade. Kierkegaard também é o próprio sujeito que além da linguagem mítica comunica a si mesmo. Em seu diário de 1848, diz: “ minha vida começou por uma terrível melancolia e foi perturbada desde a minha infância em sua base mais profunda”. (FARAGO, 2005 apud Albin Michel, 1956). Ele é o próprio sujeito da angústia, e não busca no mundo ou nos entes intramundanos a origem da angústia. Em proposição polêmica, repete o que Sócrates disse no “Menon”, é igualmente impossível o homem procurar o que sabe e igualmente impossível procurar o que não sabe, pois o que sabe não pode procurar o que sabe, e aquilo que não sabe não pode procurar, porque não sabe. Kierkegaard, em sua obra Migalhas Filosóficas, é apaixonada pela figura autêntica de Sócrates que no tocante a verdade, dizia: “ela não é trazida para dentro de si, ela já esta em si”. Assim para Kierkegaard, é a verdade da angústia, ela não esta aqui nem ali, ela esta nele, isto é, no próprio sujeito. (KIERKEGAARD, 2008).

É por demais relevante, pesquisar com afinco na pós modernidade esse conceito de angústia restrita ao sujeito, que na visão kierkegaardiana, não é nem metafísica, nem teologia, nem religião como alguns interpretes de parco conhecimentos entenderam-no de forma equivocada. Mais para o autor a problemática é simplesmente a “existência”. Kierkegaard é humano demasiado humano, mais a linguagem perpassa a sua humanidade, na ilíada o forte Aquiles morre e a sua mãe Tétis diz: “desde que lhe dei a luz e vê o sol esta sempre angustiado”, isto significa que a maior expressão da angústia pode ser a depressão ao que você pressenti as vezes indefinível, portanto, para esclarecer esse desespero do sujeito angustiado, a pesquisa se justifica em Kierkegaard, um filosofo, não da religião, mas da existência. (Revista Ciência & Vida – Filosofia, pag.26).

4 METODOLOGIA

O método é o instrumento de busca análise existencial é a bússola usada por Soren Kierkegaard, para desbravar os fundamentos teóricos da angústia e desespero humano, interelacionados no sujeito. O desvelamento fenomenológico da angústia e seu olhar no abismo das possibilidades é um dos meios para análise. Aventura nos campos da ética, mito de Adão, história de Abraão, são meios para demonstrar esse fenômeno existencial inerente ao sujeito.

O objeto da pesquisa será abordado tendo como substrato primário os livros O Conceito de Angústia, Temor e Tremor e O Desespero Humano. As três obras foram escolhidas por se adequarem ao recorte do projeto. Em O Conceito de Angústia se filosofa frente a dogmática do pecado, da queda, para retalhar as várias formas de angústia descrita do mito de Adão, que é hoje referência para as religiões judaico-cristãs. Kierkegaard, vai filosofar frente a força da liberdade, e o salto qualitativo apresentado pela queda, a angústia que esta velada no espírito sonhador do sujeito e será um dos substratos para o manuseio deste conceito tão ambíguo. A pesquisa consiste em trabalhar o conceito como mistério da vida formada na inocência da própria criança, que parece não tê-la, porquanto, a angústia inquieta a criança já em seu berço. (KIERKEGAARD, 2007a). na segunda obra, Temor e Tremor, o sujeito analisado por Kierkegaard é Abraão, o pai dos hebreus, conforme a cultura judaica,  entretanto, o vocabulário usado não é cheio de hebraísmos, e conotações religiosas, vai se pesquisar uma suspensão da moral para afirmar a individualidade do sujeito, e a forma especifica é Abraão o sujeito angustiado, frente a uma tentação ou prova lhe dada por Deus, que o faz sentir o paradoxo no mais íntimo do seu ser. Kierkegaard, declara que tem a vontade de sorver como o sanguessuga toda angústia outrora vivida por Abraão. Kierkegaard mostra em tal obra eminentemente existencialista mesmo com narrativas religiosas que a angústia do paradoxo fazem com que Abraão não possa ser entendido de modo algum pelos homens, isto é, os moralistas, porque a realidade do seu ato não pertence ao geral, pois que seu ato é individual por amor a Deus, e a si mesmo. Pois o seu Deus o coloca frente ao paradoxo da angústia. (KIERKEGAARD, 2008)

A pesquisa não terá como meta, o correlacionamento da filosofia existencialista exarada em Kierkegaard com a religião judaico-cristã. O objetivo da pesquisa é ainda consultar a obra conhecida entre nós como O Desespero Humano, onde o mentor da mesma, faz uma dialética do desespero humano a obra é avassaladora análise da consciência humana. O filosofo elucida a síntese do “eu”, onde a dupla categoria do finito e infinito que estão no âmago da questão e é na dialética do desespero que o sujeito sofre como segredo angustioso, a saber o próprio desespero. (KIERKEGAARD, 2007b).

Por fim, temos como escopo esclarecer melhor o programa de Kierkegaard, onde a pesquisa irá consultar além de demais obras do autor, estudo sobre existencialismo contemporâneo, filosofia da religião e fenomenologia, de forma especifica para colocar sobre enfoque a ontologia da angústia kierkegaardiana, como de fato a precursora de todas as formas de análise da angústia no sujeito, hoje discutida em pensadores contemporâneos, que devem dar o “passo de volta” rompendo todas as fronteiras do preconceito, e remetendo-se diretamente ao autor pesquisado, as vezes tão mal compreendido pelos marcos da exegese do existencialismo contemporâneo.

 

REFERÊNCIAS

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HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Rio de Janeiro, Petrópolis, Vozes, 2006

__________________. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural., 1991.

HUSSERL, Edmund. Os Pensadores, investigações Lógicas sexta investigação, elementos de uma elucidação Fenomenológica do Conhecimento, São Paulo: Abril Cultural, 2005.

IMAGUIRE, Guido. ALMEIDA, Custodio Luis. OLIVEIRA, Manfredo Araújo de.  Metafísica  Contemporânea. Petrópolis, Vozes, 2007.

KIERKEGAARD, Soren. O Conceito de Angústia. São Paulo: Hemus, 2007.

_____________________. Temor e Tremor. São Paulo: Hemus, 2008.

_____________________ . O Desespero Humano. São Paulo: Martin Claret, 2007.

_____________________. Migalhas Filosóficas, ou um bocadinho de filosofia de João Clímacus, Rio de Janeiro: Petrópolis, Vozes, 2008.

____________________. É Preciso Duvidar de Tudo Ou Johannes Clímacus. São Paulo: Martin Fontes. São Paulo, 2003.

___________________. Diário de um Sedutor. São Paulo: Martin Claret, 2006.

___________________. O Conceito de Ironia: Constantemente Referido a Sócrates. Bragança Paulista: Universitária São Francisco, 2.ª Edição.2005

MONDIN, Batista. O Homem quem ele é? Elementos de Antropologia Filosófica. São Paulo: Paulus, 1980.

PASCAL, Blaise. Pensamentos: Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 2005.

REALE, Giovanne. ANTISERI, Dario. História da Filosofia Pagã Antiga. São Paulo: Paulus, vol.01, 2004.